​Faturamento de cartões sobe 15%

O mercado brasileiro de cartões de crédito comemora o avanço do setor. O faturamento cresce a taxas anuais de dois dígitos mesmo diante de um cenário econômico com crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) abaixo das previsões. Em 2013, enquanto o PIB ensaia alta de 2,5%, a previsão dos executivos de cartões de crédito é encerrar o ano com avanço próximo de 15%.

Em 2012, o gasto com esse tipo de pagamento chegou a R$ 479,5 bilhões. Se depender do resultado do primeiro trimestre do ano, a meta será conquistada. Os cartões de crédito movimentaram R$ 123,6 bilhões de janeiro a março deste ano, o que representa um crescimento de 14,8% em relação ao primeiro trimestre de 2012. Foram realizadas 1,05 bilhão de transações no período, aumento de 12,6%, segundo a Associação Brasileira das Empresas de Cartões de C rédito e Serviços (Abecs).

"Apesar do expressivo crescimento apresentado nos últimos anos, acreditamos que o produto deve continuar ganhando espaço no mercado como o principal e mais seguro meio para efetuar transações à medida que continua substituindo o dinheiro e cheque na preferência do consumidor brasileiro", diz Milton Maluhy, diretor executivo da área de cartões do Itaú Unibanco, líder do setor, responsável por R$ 46,6 bilhões em valor transacionado com cartões de crédito no segundo trimestre de 2013, aumento de 9,2% em relação ao mesmo período do ano anterior.

"O cartão de crédito já representa 29% do consumo privado e não há motivo para ser menos de 40% nos próximos anos pelos benefícios que traz para toda a sociedade ao substituir o uso de dinheiro, tanto pelo custo financeiro de transportar, como pela segurança que proporciona", diz Alexandre Rappaport, diretor de cartões de crédito do Bradesco, que tem 35% da receita de serviços do segmento de cartões de crédito das bandeiras Visa, Mastercard, Elo e American Express.

O avanço da tecnologia e da internet banda larga também ajudam a embalar as vendas via comércio eletrônico. Em 2012 o cartão de crédito foi responsável por 74% das vendas do varejo on-line. Considerando-se as tendências do setor, o faturamento poderá ultrapassar R$ 1 bilhão. Entre as tendências desse mercado que está entre os que mais investe em inovação tecnológica, os executivos citam os esforços para elevar a aceitação de cartões em segmentos "não tradicionais", como educação e saúde. "No médio prazo apostamos na elevação do uso do cartão pré-pago em diversos segmentos da economia, por pessoas jurídicas e também no pagamento eletrônico de compras e contas via celular com a digitalização do dinheiro de plástico", aposta Raul Francisco Moreira, diretor de cartões do Banco do Brasil.

Para garantir que o setor cresça de forma sustentável, o governo resolveu aumentar a concorrência, abrindo o mercado para novas empresas de credenciamento de lojas e isso motivou uma reestruturação das empresas e novos players a apostar no segmento. Com oferta abrangente, o consumidor se perdeu diante de tantas opções de bandeiras, prazos e limites financeiros que superavam a capacidade de pagamento do mês. Isso tornou a educação financeira uma prioridade. "Vivenciamos um grande crescimento nos últimos anos e agora estamos unindo esforços nos ajustes necessários para o setor avançar ainda mais em valores de movimentações e em número de clientes tendo um cenário muito mais competitivo com as mudanças regulatórias recentes", explica Ricardo Vieira, diretor-executivo da Abecs.

Fonte: Valor Econômico